segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Floricultura



"Para nós, os japoneses, o conceito de beleza está ligado as coisas parecidas entre si, como as flores. Essas são, símbolos de convivência. Com a instalação desse jardim de flores infinitas em Tókio, unimos beleza e convivência" 
(Toshiyuki Inoko - Líder do TeamLab)


Mais cachorros que pessoas passando na calçada, bicicletas, o som das jovens vozes no ginásio da outra quadra. A orquídea que perfuma tudo pra chamar atenção, o vento, a brisa calma: vão fazer falta no verão.
Da porta vejo escadas, no alto, janelas refletoras de sonhos...
Uma promoção, um suco gelado, uma vontade de falar com alguém.
O telefone toca, uma voz amiga do outro lado do mundo - Que vontade de chorar. Queria ser pássaro, pássaro não, vento: pra chegar mais rápido.
Vou conhecendo a pequena floricultura com a chegada do sol, com as promessas de primavera - Piso num chão de sombras de folhas douradas...
Tudo na cidadezinha é devagar, o tempo, o homem, o olhar, o sorriso. Quando se pensa em sorrir, a vida já deu dois passos, e uma parte de mim nunca olha pra trás.
Vendo flores, vasos, sonhos, surpresas, amores e contentamento.
O quase perfume de criar um jardim entre quatro paredes de concreto.
Nada num jardim é concreto, nada permanece, mesmo as esculturas de pedra.
Vender beleza, prazer, renovação, nutrição, recomeço... Algumas recomendações, o desejo que vinga, o cuidado de um novo alguém, um novo lar, e se ninguém cuidar?
As tardes de conversa jogada fora com insetos e folhas... Entre podas drásticas ou carinhosas, percebo que preciso de espaço. Um escritório debaixo do pé de caju, quem sabe?
Alguns metros quadrados a mais pra cultivar as flores de vento, borboletas!
O caminho não é mais o mesmo, ainda tem um campo de girassóis antes de chegar em casa, ainda tem o mar, a vila, mas é o barquinho azul, parado na lembrança que ensina a olhar pro que se quer mesmo quando não se quer nada.
Os dias de sol trazem coragem, os de céu branco ditam o ritmo da espera.
Vou pintar o vento no tronco de uma árvore...
(k)


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Scavenger Hunt - November 2014

Aqui estão as fotos para o desafio proposto pelo Feito com amor.

Para Novembro a lista foi essa: 

N é para?
12:00
Pessoas
Olhe para trás
a alegria é
fora e sobre
papel
janela
cabelo
engraçado
Algo que você encontrou
o que quiser

E assim seguimos.. 



N é para? N para Nanda, minha menina de lua e N pra Neco meu menino solar.






12:00pm : a hora do almoço, de preparar os lagostins que ganhamos na praia




Pessoas: Que detestam fotografias.





Olhe para trás: o tempo que não para.



A alegria é: amoras colhidas do pé, as últimas e mais doces.



Passeando por aí: e mais perto das nuvens.


Papel - linhas que revelam


Janela:  Crumble de maçã esfriando na janela



Cabelo: pra mostrar e esconder.



                       Engraçado: nada nos últimos tempos tem mais graça que os filhotes! 



Algo que eu encontrei: 


Algo  que me agrade, que eu goste.


Gostei bastante do desafio, mês que vem tem repeteco! 

Espero que tenham gostado também.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Resenha: O Elefante Entalado



   De olhar e imaginar! De ver um elefante entalado na janela de um prédio e mais ninguém acreditar!

   O Elefante Entalado surge como fábula urbana, mas consolidou-se aqui, quando lemos pela primeira vez e depois, na roda de leitura do Jardim como "uma história de amizade com a imaginação"
   Vamos falar bastante dele, futuramente quando estrearmos a Roda do Livro. Surgiu muita coisa linda, e até um concurso de Selfies.



Eu, o Neco e a Nanda fomos os primeiros leitores, quando o livro ainda nem tinha sido publicado.
Demos palpites, porque adoramos palpitar e nos emocionamos quando o livro chegou aqui, assim, com ilustrações, prontinho e lindo.

O Neco monopolizou o livro assim que chegou, e achou, que mesmo tendo lido a história antes, a sensação foi diferente. Acho que ele ainda vai redescobrir muitos livros. Ele não se conforma dos amigos do Luís (o menino que mora no apartamento que o elefante fica entalado) não acreditarem nele, porque seus amigos, mesmo os virtuais valem ouro, e estão sempre prontos pra ajudar.
Que sorte tem meu filho!


A Nanda, que adora elefantes (já postei sobre outro livro que ela adora) percebeu na história coisas que não chamaram a atenção do Neco, como o sonho do elefante, o que nos levou a pesquisar toda sua simbologia. Agora, ela sai por aí falando do pesado amigo das nuvens, e contando mil causos.







O que eu acho do livro? Gostei muito do enredo, dos personagens, acho que os moradores do prédio, onde a história se passa representam bem os diferentes tipos de pessoas e quando cheguei ao apartamento do senhor cego me senti em casa, um lugar adoravelmente comum na literatura feita pelo Alonso.
Eu acho fantástica sua imaginação, aquela que liga as coisas, que coloca num mesmo livro um pouco de Arquimedes e um pouco de Mozart  e que torna tudo isso simples a ponto de fazer uma criança descomplicar depois.
Conversar sobre a solidão em tempos de mais de 1000 amigos no Facebook, e sobre a necessidade que as pessoas tem expor a vida, rendeu muito pano pra manga aqui no Jardim.
Pesquisar a simbologia dos elefantes em outra cultura, foi mágico, como o final do livro.
Ouvir Mozart, em determinado momento, é explicar sem palavras que alguns são mais sensíveis aos nossos sonhos e vontades, e  que não são todos que vão nos estender a mão ao longo da nossa jornada, mas que se caminharmos sobre nuvens de imaginação e bem querer, os amigos de verdade nos acompanharão.






domingo, 19 de outubro de 2014

O melhor do meu dia!

"No final do dia. antes de fechar os olhos e ceder ao cansaço, fazemos um exercício: 
escolher o melhor do nosso dia.
Fazemos as pazes com o que correu mal, aceitamos as respostas que ainda precisam de tempo, acalmamos os medos e as angústias e guardamos apenas o melhor. 
Podem ser horas de festa ou apenas um instante de silêncio.

O melhor do meu dia" é uma fotografia feita de letras em que ficamos sempre bem. 
É essa a memória que queremos guardar. 
É a essa a força que queremos para o dia seguinte: adormecer com um sorriso. "
(Catarina Beato)




Claro, que nem todos os nossos dias são incríveis a ponto de manter os sorrisos, ou de aparar as lágrimas, mas sempre há algo bom, muito bom se olharmos com mais humanidade pro caminho percorrido e pra quem nos acompanha na caminhada.



O melhor dos últimos dias fica na categoria melhor dos melhores, as pequenas alegrias e conquistas dos 5 filhotinhos da Laica, Tutti, Penny Lane, Elvis, Gumball e Darwin e o amor que o Neco e a Nanda dedicam a eles.

#viverdeamor




quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Orgulho alheio.

   Sabe quando sentimos orgulho alheio? Orgulho do que uma pessoa faz ou é? 

   Eu sinto esse orgulho, muito orgulho  desse pessoal  aqui: 


Um dia de bobeira, assistindo o noticiário, me apaixonei pelo trabalho que elas realizam.
Quase no mesmo instante entrei em contato, elas mais que depressa atenderam meu pedido, voltei pro Jardim com uma caixa linda, recheadinha de livros infantis e juvenis e um baita sorriso no rosto.  E sabe mais o que? Uma caixa de livros escolhidos, dos melhores livros que se pode imaginar, gratidão! Acho que foi a primeira vez que senti que o nosso Jardim era importante, que era um circulo de coisas boas, e que eu teria apoio, que poderia falar dele, aumentá-lo, e porque não seguir adiante e torná-lo o que deve ser! 

A mágica que faz as coisas brotarem, crescerem é o incentivo, feito planta precisamos de elementos que nos forneçam condições de vida. Elas fizeram isso aqui no nosso jardim, um lugar que nem conhecem ainda, para pessoas que nunca viram, de forma espontânea e verdadeira. Nesse momento passei a sofrer de um crônico orgulho alheio . Pelo trabalho que elas fazem, libertar o que gostam, livros, leituras, histórias e tornar a vida dos outros mais saborosa.


E se todas as pessoas que gostam de ler, compartilhassem isso com alguém?




Nossa caixa da Freguesia fica disponível pra criançadinha, vou confessar que temos uns grandalhões também... eles levam e trazem, trocam, ganham, e saem daqui felizes.

Nos dias ensolarados espalhamos todos os livros no jardim, nos chuvosos ficamos no sótão da  portaria. Das vezes que eu mais gostei, uma menina pediu pra levar o livro que ela tinha acabado de ler pra casa, queria ler pros pais e um menino trouxe os livos dele pra trocar.   
Mesmo que os livos fiquem livres eles trocam entre si, e eu sigo com a certeza de estar formando grandes leitores, e de que a ações como essa da Freguesia do Livro não só fazem a diferença mas são as que temos que apoiar.

A primeira impressão das crianças quando chegaram aqui e viram a caixa da Freguesia foi de surpresa, de sorrisos, de vontade junto com medo de pegar!
Olhar, pegar, folhear, cheirar, imaginar, contar, viajar, realizar, conjugar o verbo ler! 

E não pensem que suas mães também não sentiram a mesma coisa, de repente eram elas que vinham buscar livros, uma ou outra ficam durante nossas leituras, e todas, sem exceção, agradecem, e se surpreendem, ao saber que existe um grupo de mulheres que sai por aí distribuindo livros pra quem gosta de ler. 
- Tem gente que faz isso? elas perguntam

Tem, tem gente que faz isso sim e bem, e que quer continuar fazendo e  batalha, procura meios, não desiste.




Quer compartilhar também, e ganhar um calendário lindão? É só clicar no link, conhecer e fazer parte! 


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Aniversários que acontecem e são lembrados.

Os filhotes aqui adoram festas, de todo tipo, aliás, qualquer coisa é motivo pra fazer festa, decorar tudo, inventar uma novidade e chamar os amiguinhos pra comemorar.
Nossas festas desde sempre foram feitas em casa, um ou outro item, raras vezes foi por encomenda. 
Eles adoram e posso garantir que a preparação é também uma grande festa. Às vezes tento surpreendê-los. As festas surpresas são o susto dos olhos ao perceber que alma e coração são amados.
E quando a surpresa não é possível porque eles descobrem antes da hora ou porque deixamos escapar, os preparativos representam a mesma certeza, sem sustos, mais calma de que alma e coração são amados, de que nos importamos com eles.
Eu nunca achei necessário armar um espetáculo, porque nossa alegria em comemorar, seja um aniversário, uma nova estação, uma conquista, a chegada de um amigo querido, a recuperação de alguém que amamos, ou mesmo as coisas mais corriqueiras, como um sábado bonito, uma história é o maior acontecimento. E acontecer é a palavra mais simples que eu conheço, aconteceu, tudo converge pro que é natural.

E, inevitavelmente eu implico com uma coisa em festas infantis: o exagero e a quantidade de doces e frituras e firulas!
A criança vai á festa, come horrores de doces, salgadinhos fritos, a bomba de açúcar popularmente conhecida como marshmallow, e mais quilos e quilos de balas e pirulitos, não bastasse isso, ainda traz pra casa mais e mais doces como lembrança.
Falta de criatividade na minha opinião, tem muita coisa linda, fofa, e que a criançada adora e que vai tornar a ocasião e o pós comemoração muito mais interessante!
 Quer ver?


Giz de cera e um laço de fita! Tem coisa mais bonita? Mais querida do que dar como lembrança possibilidades?
 


Bloquinho com crayon!


Um CD com as músicas preferidas ou com as musicas da festa, um livro e brinquedo de madeira! 



Um chinelo ou uma caneca?


Um cofrinho? 


Porta brinquedos


Molde e massinha de modelar


Bichinho de pelúcia com certificado de adoção! Cuidar das amizades é fundamental!


Uma Ecobag, pra criançadinha sair por aí com seus livros, brinquedos... e ainda cuidar do meio ambiente? 


Monóculos? E um pouco de história pra contar?



Bolas e um convite pra mexer o corpo todo?


Jogos educativos em marmitas ou caixinhas de madeira! 


A ideia do CD é apaixonante! ♥

E, a simplicidade acontece...


                                                           


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Do Alto do Meu Chapéu"

   Ganhar sorteio é bom demais né? Quando é de livro então, rende uma porção de sonhos.
   Outro dia participei do Sorteio da página Brincadeiras Literárias e ganhei um livro lindo, com poemas mais lindos ainda da escritora Gláucia de Souza

   Há tempos que a internet tem me aproximado de pessoas queridas, que vão ganhando espaço em  meu coração.
   Mas vamos ao livro lindo, que olha, já foi pro cantinho dos mais amados e que veio num envelope cheio de carinhos, marcadores, cartinha fofas e autógrafo da autora!

#viverdeamor  #émuitadoçuranumlugarsó




   O "Do Alto do Meu Chapéu!  é lindo mesmo Fabi!!
   A escritora é a mesma que escreveu "Saco de Mafagafos" e "Bestiário" e claro, o meu querido "Astro Lábio".

   Os poemas da Gláucia, inspirados nos papercuts de Hans Christian Andersen, tem uma curiosidade dançante, cada um deles recorta através dos olhos histórias desdobráveis, trazendo tantas lembranças quanto é possível pra quem fica por perto na hora da poesia.
   Lemos tantas e tantas vezes, que acho que todo mundo da família acabou por conhecer o livro e se desdobrou em histórias:

* A vovó que já encontrou com os gnomos quando foi regar o jardim
* A menina bailarina que quer se transformar em borboleta poetisa
* O menino maluco que só tirava o chapéu pra mostrar a língua pro cuco

   Tentei escolher um poema pra chamar de nosso preferido. Não deu, não entramos num acordo.
   Como o Neco já deu sua opinião por aqui, quem escolhe hoje é a Nanda.




Borboleta

Borboleta, me traz um dia
de presente?
Pula e dança
na minha frente?
Faz nuvem torta
ter cara de gente?
Ou cara triste
ser contente?

Borboleta, sem nem mais,
me ensina:
a ter cara de menina?
a gritar que nem buzina?
a catar vento em esquina?

mas se não der...
Borboleta, me faz...

Ah! Me faz ser...

... bailarina!



   Obrigada Fabi, Gláucia. Carinho que não se mede! ♥